O PROFANADOR - EDDY VOMIT
"Pensar em demasia é sofrer em constante agonia"
Textos
MEMÓRIAS DE UMA LOLITA!!! (PARTE 4).
O APARTAMENTO DE BABUSHKA...
Agora vou descrever o apartamento onde eu morava com minha família. Bem, como já havia dito, morávamos no Condomínio Prosarov, era um amontoado de prédios com 5 andares no subúrbio de Praga, via-se lixo espalhado por toda parte e varias pessoas famintas, mamãe dizia que essas pessoas tinha afrontado o Governo e por isso estavam sendo punidas com a fome extrema, eu ficava muito triste em ver aqueles coitados rastejando por comida. Nosso apartamento ficava no Bloco 07 no primeiro andar, numero 107. Era um apartamento bem pequeno, que o Governo doou para as famílias mais pobres das Tchecoslováquia morar, mamãe me contou que quando se casou com papai, ele se inscreveu na Prefeitura e foi logo sorteado para morar neste Apt. 107 pagando por mês, mas como papai não conseguia se firmar em nenhum emprego, o Estado apiedou-se de nós e perdoou nossa dívida quitando-a eles mesmos. Então o Apt. 107 passou a ser de nossa família, como ia dizendo, era um lugar pequeno. Haviam 2 quartos pequenos na qual dormia mamãe e papai num deles e nós no outro como era de se esperar. Havia uma saleta onde ficavam o velho radio de pilha, a Tv, um velho sofá rasgado e uma estante cheia de livros, mamãe tinha uma mesinha de centro de madeira onde papai insistia em colocar os pés para dormir no sofá, mamãe não gostava disso, mas nada falava. No banheiro minúsculo apenas uma privada e uma banheira que eu adorava quando ela estava cheia de água de quente, pois ficava submersa por horas à fio na agua quentinha, isso quando tinha água quente (papai as vezes não pagava o gás russo) e eles cortavam nosso aquecimento e mamãe tinha que ferver água na lareira para a gente não morrer de frio. No banheiro também havia um pequeno lavabo onde nós escovávamos nossos dentes (isso quando tinha pasta dental), na cozinha, o velho fogão de mamãe e seu forno a lenha que tanto ela adorava além de uma pia grande onde ela armazenava nossas pratos, talheres e copos, não tínhamos armários, nossos objetos eram guardados em grandes caixotes de madeira ou em baús, papai dizia que armários eram muito caros, geladeira então, só em sonho. Nunca tinha visto uma geladeira de perto, apenas em comerciais de Tv, e eu ficava sonhando com uma bem grande e azul cheia de coisas apetitosas para nós comermos, mas isso era apenas um sonho. Além desses cômodos que falei havia o sótão onde papai guardava seu velho rifle do Exército Tcheco e seu uniforme de soldado (ele nunca nos falou porque largou a carreira militar), além de algumas coisas que mamãe trouxe de sua família quando se casou com papai. As vezes subíamos no sótão, mas papai não deixava a gente mexer em nada, meu irmão queira pegar no rifle, mas tinha medo que papai descobrisse e desse uma surra nele, eu gostava de mexer nas caixas de mamãe, pois lá haviam fotos antigas e alguns broches, além de outros cacarecos guardados por anos à fio. Mas o que mais nos chamava a atenção eram um enorme baú que papai matinha trancado com um enorme cadeado enferrujado. Quando perguntávamos o que tinha lá dentro, ele se zangava e dizia que: "Um dia eu mostro pra vocês", e assim ele ia nos enrolando. Nossos pets adoravam o sotão, tanto Billy quanto Dog. subiam sempre lá para caçar ratos, porcausa de Dog., os ratos nunca nos importunavam. Pronto, agora já falei pra vocês sobre meu Apt., mas esqueci uma coisa MUITO importante. Vocês repararam que nós ainda não temos nomes? Pois bem vou me apresentar e apresentar minha família. Eu me chamo Carmina Burana Savicetvic Pradachenko e naquela época acho que tinha uns 9 anos de idade, papai era fã de Carl Orf e por isso colocou esse nome em mim. Eu quando ouvi aquela opera, fiquei apaixonada. Agora vou dizer o nome de meu irmão, Johhan Bach Savicetvic Pradachenko, papai com já disse era fã de Bach e por isso o homenageou dando o nome dele ao meu irmão mais velho que naquela época deveria ter uns 16 anos e já começava a ficar rebelde. Mamãe se chamava Darwulia Ágata Savicetvic Pradachenko e papai se chamava Sergey Fiodor Peridotvic Pradachenko, além de meu cãozinho Billy e meu cat. Dog., que eu já tinha falado pra vocês. Gostaram dos nomes? Acredito que vocês irão se emocionar com essas linhas tortas que agora escrevo após anos à fio, pois naquela época a comida para nós era muito escassa e as vezes só tínhamos apenas batatas cozidas para o jantar e isso me lembrava de um velho livro que mamãe tinha naquela estante recheada de clássicos. O livro se chamava "O Diário de Anne Frank" e eu quando o li anos mais tarde, me inspirou a escrever estas memórias que tenho certeza que os levará as lágrimas. Esperem o porvir....
Eddy Vomit
Enviado por Eddy Vomit em 31/05/2021
Comentários